Obadias, o Princípio da Retribuição

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2012 – Lição 5 | AD Belém – Setor 20 (Arujá/SP) – Congr. Pq. Rodrigo Barreto I | Jonas M. Olímpio

   Atenção Professor!
    Após essa aula, seu aluno deverá estar apto a:
    >    Conceituar soberania divina e livre arbítrio;
    >    Elencar os elementos contextuais do livro de Obadias;
    >    Saber o princípio da retribuição divina.

A justiça divina é imparcial e não
considera simplesmente os atos do
pecador, mas principalmente 

seu coração

Texto Áureo
    Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todos os gentios; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua recompensa voltará sobre a tua cabeça (Ob 1:15).

Verdade Prática
    Obadias[1] mostra que a lei da semeadura e o princípio da retribuição constituem uma realidade da qual ninguém escapará.

Palavra-chave
Soberania: Qualidade ou condição de soberano.

Leitura Bíblica em Classe

    Obadias 1:1-4;15-18 – Visão de Obadias: Assim diz o Senhor DEUS a respeito de Edom[2]: Temos ouvido a pregação do SENHOR, e foi enviado aos gentios um emissário, dizendo: Levantai-vos, e levantemo-nos contra ela para a guerra. 2Eis que te fiz pequeno entre os gentios; tu és muito desprezado. 3A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra? 4Se te elevares como águia, e puseres o teu ninho entre as estrelas, dali te derrubarei, diz o SENHOR. 15Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todos os gentios; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua recompensa voltará sobre a tua cabeça. 16Porque, como vós bebestes no meu santo monte, assim beberão também de contínuo todos os gentios; beberão, e sorverão, e serão como se nunca tivessem sido. 17Mas no monte Sião haverá livramento, e ele será santo; e os da casa de Jacó possuirão as suas herdades. 18E a casa de Jacó[3] será fogo, e a casa de José[4] uma chama, e a casa de Esaú[5] palha; e se acenderão contra eles, e os consumirão; e ninguém mais restará da casa de Esaú, porque o SENHOR o falou.  

Deus é soberano; portanto, nada e
nem ninguém o controla ou pode
impedí-lo de concretizar os seus
propósitos

Introdução
·         Nos 21 versículos do único capítulo do seu livro, o profeta Obadias expõe a infabilidade do poder de Deus e a sua soberania sobre a humanidade, a qual não pode escapar da grandeza da sua justiça.
·         Nessa época, o povo de Israel estava sendo duramente oprimido pelos edomitas; essa rivalidade se estendeu por um longo período, até que Jeová interviu e aplicou sua implacável justiça.
·         Os fiéis, em toda a sua história, sempre sofreram injustiças, mas o Senhor nunca deixou seus opressores impunes e sempre lhes deu sua justa retribuição.
·         As palavras do livro de Obadias são diretamente direcionadas contra Edom, mas, o contexto de sua mensagem é perfeitamente válido para os dias atuais, pois o caráter e os princípios divinos não mudaram [Hb 13:8 – Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.].

Não há soberania humana que
resista a supremacia do poder de
Deus; com sua onipotência, Ele
tanto abeçoa como também
castiga: sua ação depende de
nossos atos

I – A soberania de Deus
1. Conceito
·         Soberania divina é o poder ilimitado que Deus tem para dominar sobre e terra e sobre todos e tudo o que nela há.
·         Existem duas linhas de pensamento predominantes no cristianismo – os calvinistas[6] e os arminianos[7] – as quais, embora se diferenciem em vários pontos, concordam plenamente que Deus é soberano;
·         Apesar dessa concordância, ainda discutem o conceito da soberania divina: os calvinistas dizem que Deus realiza seus propósitos sem dar ao homem nenhuma chance de mudá-los, enquanto que os arminianos acreditam que Ele se autolimita em sua soberania, não interferindo em tudo, dando ao homem o livre-arbítrio.
·         A Bíblia nos mostra mesmo sendo soberano, Deus nos dá total liberdade de escolha, cabe a nós escolher o melhor caminho [1ª Co 10:23 – Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.
Dt 30:15-20 – Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; 16Porquanto te ordeno hoje que ames ao SENHOR teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o SENHOR teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir. 17Porém se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, 18Então eu vos declaro hoje que, certamente, perecereis; não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão[8], para que, entrando nela, a possuas; 19Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, 20Amando ao SENHOR teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e achegando-te a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o SENHOR jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque, e a Jacó, que lhes havia de dar.].

A liberdade de escolha é o que
nos torna responsáveis por nosso
destino; e não adianta dizermos
que não conhecemos a diferença
entre o caminho do bem e o do mal,
pois foi para nos orientar que Ele
nos deixou a sua Palavra e o seu
Espírito Santo

2. Livre-arbítrio
·         Como vemos na Bíblia, é inegável que a vontade de Deus seja a salvação de toda a humanidade, vejamos alguns exemplos:
            a)      Em Ezequiel 18:23,32 Ele diz que não tem nenhum prazer na morte do ímpio;
            b)      Em João 3:16 está escrito que Ele tanto amou o mundo que deu seu Filho para que todo aquele que nEle crê não pereça mas tenha a vida eterna;
            c)       Em 1ª Timóteo 2:4 diz que Ele quer que todos os homens se salvem;
            d)      Em 2ª Pedro 3:9 a Palavra afirma que Ele é paciente para que nem todos se percam, mas que todos tenham oportunidade de arrependimento.
·         Mesmo assim, muitos perderão a chance de salvação, e essa triste derrota se deve exatamente à liberdade de escolha, ou seja: Deus não força ninguém a seguir o seu caminho.
·         Essa perda de tantas almas não significa que o seu poder seja limitado, mas sim que Ele quer ao seu lado pessoas que realmente optaram por amá-lo sem terem sido obrigadas a isso.
·         O nosso Senhor nos mostra o caminho, mas quem toma a decisão somos nós; pois Ele não nos manipula, apenas nos orienta [Mt 7:13,14 – Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; 14E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.].

O tamanho do livro não é o fator
que determina a sua importância;
pois, no caso de Obadias, as
palavras de justiça alí proferidas
significam não simplesmente a
satisfação de um desejo de
vingança, mas sim a promessa de
restauração de toda uma nação e
de valiozíssimas lições de justiça
para os crentes atuais

II – O livro de Obadias
1. Contexto histórico
·         Ao contrário da maioria dos demais profetas, Obadias não fornece nenhuma informação a seu respeito, tais como nomes de familiares, profetas contemporâneos, reis que governaram durante o seu ministério ou, pelo menos, algum fato marcante que pudesse servir como referência para se definir pelo menos uma data aproximada de seu período de existência.
·         Essa falta de informação acaba proporcionando muitas especulações sobre a data de seu ministério: pesquisadores calculam que foi entre 848 e 460aC;
·         O mais provável é que os versículos 10 a 14 estejam relatando a invasão do exército babilônico em Jerusalém sob o comando de Nabucodonosor[9] no ano 587aC; por isso, existe uma maior probabilidade de que esse livro tenha sido escrito entre 586 e 580aC.
·         A única coisa que se sabe ao certo é que o tempo em que Obadias viveu e profetizou foi durante um período de muitas dificuldades para os israelitas; mas eles tinham sua confiança depositada em Deus, e foi através dEle que alcançaram a vitória [Mt 5:5-7 – Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;].

A vida de um profeta não se
resume em falar o que Deus
manda, mas consiste também
em viver juntamente com seu
povo a dura realidade por
ele abordada em seus oráculos

2. Estrutura e mensagem
·         Obadias é o menor entre todos os livros do Antigo Testamento; o seu tema é o julgamento de Deus contra Edom.
·         Embora seu conteúdo fale sobre justiça, ele foi escrito em forma de poesia, pois esse é o estilo de sua linguagem: “Se te elevares como águia, e puseres o teu ninho entre as estrelas, dali te derrubarei…”.
·         Seu pequeno texto está dividido em três partes:
            a)      1-9: a destruição de Edom;
            b)      10-14: a maldade de Edom;
            c)       15-21: a restauração de Israel.
·         Além de Obadias, também Isaías, Jeremias, Ezequiel, Amós e Malaquias foram usados para falar sobre a condenação dos descendentes de Esaú.
·         O contexto do livro de Obadias fala da justiça de Deus sobre os seus escolhidos; ele nos serve de lição de como vale a pena esperar pela intervenção divina permanecendo firmes mesmo em meio ao sofrimento [Mt 5:4 – Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;].

Obadias significa “servo de Jeová”,
como, nos tempos bíblicos, as
pessoas eram denominadas de
acordo com suas características,
podemos presumir que ele fosse um
homem bastante dedicado à vida
espiritual; e é exatamente isso que
Deus ainda procura nos dias atuais:
servos fiéis e dedicados

3. Posição no cânon
·         Em nossa Bíblia, Obadias é o quarto livro dos profetas menores, situando-se entre Amós e Jonas.
·         Como sabemos, o critério usado na ordem dos livros na bíblia não foi cronológico; em alguns casos, os livros próximos uns dos outros possuem grande semelhança temática ou no estilo de escrita.
·         No cânon judaico, os profetas menores formam um único livro e, devido a isso, a citação de Obadias no Novo Testamento é apenas indireta, ou seja: ele não é diretamente citado, mas sim os profetas de um modo geral, entre os quais ele está incluído.
·         O livro de Obadias possui uma grande semelhança aos livros dos demais profetas: fala de perseguição, injustiça, sofrimento e a restauração através da fidelidade, da misericórdia e do amor divino [Mt 5:10-12 – Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. 12Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.].

Edom era uma fortaleza natural
edificada nas cavernas de uma
região montanhosa: sua condição
geográfica a fazia ser temida e
respeitada pelos inimigos; esse é o
mal de muitos seres humanos:
humilhar e abusar da fraqueza
alheia acreditando que sua força
é inabalável

III – Edom, o profano
1. Origem
·         A tribo dos Edomitas era descendente de Esaú: ele vendeu sua primogenitura[10] a Jacó por um guisado[11] vermelho – conforme está escrito em Gênesis 25:29-34 -; o nome de sua tribo passou a ser Edom, que significa vermelho na língua hebraica. Isso pode ser comprovado em Gênesis 36:8,9.
·         Eles habitaram o monte Seir[12], e logo passaram a ser uma grande e forte nação conforme podemos ver no capítulo 36 do livro de Gênesis.
·         Tempos depois, um rei edomita não permitiu que os israelitas – em sua peregrinação pelo deserto, após sua saída do Egito – passassem por seu território;
·         Apesar disso, Deus lhes ensinou a tratá-los como irmãos; mas Edom passou a odiar Israel cada vez mais com o passar do tempo.
·         A perseguição ao povo de Deus não foi uma exclusividade do tempo da Lei, pois ela continuou com a instituição da Igreja Primitiva e, conforme o próprio Senhor Jesus nos alertou, se intensificou ao longo dos tempos até os dias de hoje e continuará até a sua volta; mas para os crentes que permanecerem fiéis até o fim, a promessa é de vitória [Mt 10:22 – E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.].

Arqueólogos descobriram que a
região da antiga Edom é rica em
minérios: esse privilégio da riqueza
natural também pode ter sido uma
das razões da soberba dos edomitas;
porém, seu maior erro foi que, em
vez de usufruírem pacificamente de
suas posses, resolveram oprimir
justamente os servos daquEle que
lhes havia concedido todas essas
bênçãos

2. O Deus soberano
·         O livro de obadias se inicia com uma palavra dirigida por Deus diretamente a Edom falando de guerrear contra ele; essa afirmação decisiva e sem meio termos comprovam a soberania divina sobre os homens;
·         O rei e o exército edomitas eram muito temidos naquela época, mas o poder de Jeová é infinitamente maior do que qualquer poder humano.
·         Apesar de Esaú ser irmão – irmão gêmeo­ – de Jacó, seus descendentes não faziam parte do povo de Deus: portanto, não haviam recebido também a promessa de herdar a Terra prometida.
·         O poder de Deus não se restringe aos que se submetem a Ele, mas se estende a cada ser da terra, seja ele fiel ou não [Jr 23:23,24 – Porventura sou eu Deus de perto, diz o SENHOR, e não também Deus de longe? 24Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o SENHOR. Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o SENHOR.].

Quando os edomitas acharam que
Israel já estava derrotado, o
Senhor levantou outros povos em
sua defesa; esse seu modo de agir
continua o mesmo: quando o
inimigo pensa que nos derrotou,
Deus provê meios para que
superemos qualquer situação

3. Preparativos do assédio[13] a Edom (Ob 1:1c)
·         Logo no início de seu texto, Obadias diz: “Temos ouvido a pregação do SENHOR, e foi enviado aos gentios um emissário…”; essa maneira de se expressar dá a entender que ele se refere a palavra pregada por outro, ou outros profetas.
·         Ele cita também um embaixador – ou emissário – que foi enviado aos outros povos com a missão de convidá-los a unirem-se na guerra contra Edom;
·         Esse embaixador possivelmente era um diplomata ou um comandante de exército, talvez pertencente a Israel ou a uma nação inimiga de Edom.
·         Assim como não desamparou os israelitas no passado, mas preparou também outras nações para lutar com eles contra Edom, Deus também não nos desampara e nos deu o Espírito Santo para que esteja conosco em nossa caminhada terrena [Jo 14:16,17 – E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; 17O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.].

A arrogância daqueles que não
têm o amor de Deus é ilimitada,
mas a sua maldade tem limites e
só vai até aonde Ele permite; no
tempo certo,  Jeová abateu
Edom e exaltou Israel,
mostrando-lhes que não importa
o quão difíceis pareçam ser as
circunstâncias, Ele está sempre
sob o controle de tudo

4. O rebaixamento de Edom
·         Um estilo de linguagem muito comum no Antigo Testamento é descrever um acontecimento futuro como se já tivesse acontecido; por exemplo, quando Ele diz: “Eis que te fiz pequeno entre as nações…”, Edom ainda não tinha sido castigado, mas seu futuro já estava decretado.
·         Esse recurso linguístico é chamado de perfeito profético; trata-se de uma linguagem poética e não exatamente de um perfeito gramatical.
·         Essa forma de falar mostra a certeza de Deus em realizar seu propósito; algo que ainda não havia ocorrido, Ele menciona como já realizado: isso também é um exemplo de sua soberania.
·         Não há quem possa impedir a justiça de Deus; nenhuma força humana é tão grande que seja capaz de impedi-lo de executar seus propósitos [Sl 76:5-9 – Os que são ousados de coração são despojados; dormiram o seu sono; e nenhum dos homens de força achou as próprias mãos. 6À tua repreensão, ó Deus de Jacó, carros e cavalos são lançados num sono profundo. 7Tu, tu és temível; e quem subsistirá à tua vista, uma vez que te irares? 8Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo; a terra tremeu e se aquietou, 9Quando Deus se levantou para fazer juízo, para livrar a todos os mansos da terra.].

Todo o aparato militar dos
edomitas não conseguiu impedir
que suas fortalezas se tornassem
em ruínas quando Deus interferiu
na situação; da mesma forma, por
mais que nossos inimigos se sintam
poderosos, se não se arrependerem,
o que está reservado para eles é
muito pior do que aquilo que eles
planejam contra nós

5. O orgulho leva à ruína
·         A segurança dos edomitas estava nas características geográficas de seu território: eles viviam nas cavernas montanhosas de Seir, isso fazia com que eles se sentissem intocáveis pelos outros exércitos.
·         Mas havia uma “liçãozinha básica” que Edom ainda não havia aprendido: as mãos de Deus alcançam aonde as mãos do homem não podem chegar; nada está fora do seu alcance!
·         Enquanto eles contavam com seus esconderijos, seus soldados, seus cavalos e suas armas, Israel podia contar com o invencível General; quem será que estava em vantagem?
·         Fazer algo sem a aprovação de Deus é o mesmo que entrar num campo de batalhas desarmado; quem está ao teu lado em suas pelejas cotidianas [Sl 124:1-3- Se não fora o SENHOR, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel; 2Se não fora o SENHOR, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós. 3Eles então nos teriam engolido vivos, quando a sua ira se acendeu contra nós.]?

Quando semeamos,
devemos pensar não
somente no sabor dos
frutos, mas também na
qualidade das sementes;
pois aquilo que plantamos
hoje, será nosso alimento
amanhã

IV – A retribuição divina
1. O princípio da retribuição
·         Retribuir é a mesma coisa que “pagar na mesma moeda”, ou seja: “dar o troco”.
·         Esse é o princípio básico da lei Mosaica; porém, é importante ressaltar que a justiça pertence a Deus e não a nós, e a graça do Senhor Jesus Cristo nos ensina a amar e perdoar os inimigos.
·         Meditando nos versículos 9 a 16 da Obadias, observamos que essa narrativa mais parece uma autêntica leitura de sentença de em criminoso condenado em um julgamento.
·         No versículo 15, Ele diz: “… o dia do SENHOR está perto, sobre todos os gentios…”, essa afirmação mostra que o castigo de Edom deve servir de exemplo à todas as nações: isso também é uma prova da soberania divina.
·         A lei da semeadura é infalível: tudo o que fazemos – seja bom ou ruim – tem a sua justa retribuição; por isso é de extrema importância revermos sempre nossos conceitos e nossas atitudes [Gl 6:7,8 – Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. 8Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.].

Um dos maiores problemas de
muitas pessoas é plantar rosas
achando que não vão ter que lidar
com os espinhos; na vida, devemos
estar sempre preparados para
enfrentar tudo, inclusive
aqueles que encaram qualquer
prova como derrota

2. O castigo de Edom
·         Os habitantes de Edom praticaram muita violência e também se alegraram e festejaram mediante a todos os problemas enfrentados pelo povo de Deus;
·         Tal atitude despertou a ira do Todo-Poderoso, o qual declara no versículo 16 que conforme eles agiram, também seus inimigos agiriam contra eles.
·         Também não devemos nos esquecer de uma coisa: o mesmo conceito da justiça divina usado contra nações, povos, famílias ou grupos específicos também é aplicado contra indivíduos em particular.
·         O único “remédio” contra o castigo divino é o arrependimento; sem pedir perdão pelos pecados, cada um assumirá as consequências de seus atos [Lc 23:39-43 – E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós. 40Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? 41E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. 42E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. 43E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.
Rm 14:12 – De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.].

A rivalidade entre dois irmãos
gêmeos com caráter totalmente
diferente refletiu também nas
características dos povos
originados por eles: os edomitas
eram infiéis e os israelitas também
tinham dificuldades em obedecer a
Deus; por isso devemos repensar e
moldar nosso caráter: pois o que
somos, influenciamos nossos filhos
e também ensinamos em nosso
ministério

3. Esaú e Jacó (Ob 1:18)
·         O nome “Sião” se refere a Jerusalém, e “Jacó” se refere a Judá; o termo “José” é aplicado em relação ao reino do Norte, o qual é formado pelas dez tribos e também é identificado como Israel e Efraim[14];
·         José, sendo pai de Efraim, tem seu nome usado para identificar seus irmãos do norte;
·         Nesse período registrado por Obadias, ainda não havia ocorrido a divisão entre Judá e Israel; a forma como estão unidos esses nomes em seu texto, permite-nos entender também que essa é uma profecia sobre a reunificação dos reinos.
·         Esaú e Jacó – conforme vemos em Gênesis 25:23-26 – demonstravam rivalidade entre si desde o ventre de sua mãe; e, de fato, o que o Senhor disse sobre o maior servir ao menor se cumpriu até o fim.
·         A graça conquistada na cruz uniu judeus e gentios – aqueles que aceitaram a Cristo, logicamente – como um só povo; o amor de Deus é tão imenso que, através do sacrifício do seu Filho, Ele proveu meios para aqueles que antes eram inimigos também tivessem uma oportunidade de salvação [Rm 3:28,29 – Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. 29É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente,].

Praticar a justiça é aplicar na
prática o amor ensinado por Deus;
e é exatamente esse o objetivo do
livro de Obadias: ensinar que a
falta de amor leva à injustiça e a
sua consequência é a morte

Conclusão
·         Se diante das coisas naturais o homem já é obrigado a entender que não consegue ultrapassar os limites impostos, quanto mais diante do poder de Deus; e foi isso que Edom não entendeu e acabou por sofrer as consequências de seus atos.
·         A lei da semeadura é tão certa quanto a óbvia lei da gravidade: duvidar dela é tolice porque a reação é tão real quanto a ação.
·         Obadias tão simplesmente entregou a mensagem que o Senhor lhe deu e foi fiel em seu conteúdo; muitos “profetas” nos dias atuais têm distorcido a verdade transformando o alerta contra o pecado em promessas de bênçãos.
·         Para alcançar a graça da justiça de Deus e desfrutar de sua paz, o segredo é muito simples: arrependimento e transformação [At 3:19 – Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor,].

Jonas M. Olímpio


Um guisado de lentilhas: foi esse o
preço da primogenitura de Esaú
num simples momento de cansaço;
quantas vezes, diante de qualquer
dificuldade, também não desprezamos
tudo aquilo que o Senhor nos deu,
sendo que o que temos lhe custou preço
de sangue? 

[1]Obadias: [Significa servo de Javé]. Esse profeta, também chamado de Abdias, escreveu o livro que leva seu nome (Ob 1:1-21): é o quarto livro dos Profetas Menores. Nesse livro, é anunciada a destruição de Edom, tendo em vista que os edomitas não somente se alegraram com a derrota dos israelitas pelos babilônios em 586aC., mas também ajudaram os inimigos e aproveitaram a oportunidade para saquear Jerusalém. Por esse pecado, os edomitas seriam castigados e derrotados junto com os outros povos que eram inimigos do povo de Deus. Israel, porém, voltaria a ser próspero e poderoso.
[2]Edom: [Significa vermelho]. Um dos nomes de Esaú, como lembrança de ter vendido o seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas (Gn 25:30). País dos descendentes de Esaú (Nm 20:18-21), que ficava ao sul do mar Morto. Atualmente, esse território pertence a Jordânia.
[3]Jacó: [Significa enganador]. Filho de Isaque e Rebeca e irmão gêmeo de Esaú (Gn 25:21-26). A Esaú cabia o direito de Primogenitura por haver nascido primeiro, mas Jacó comprou esse direito por um guizado (Gn 25:29-34). Jacó enganou Isaque para que este o abençoasse (Gn 27:1-41). Ao fugir de Esaú, Jacó teve a visão da escada que tocava o céu (Gn 27:42-28:22). Casou-se com Léia e Raquel, as duas filhas de Labão (Gn 29:1-30). Foi pai de 12 filhos e uma filha. Em Peniel lutou com o anjo do Senhor, tendo recebido nessa ocasião o nome de Israel. Para fugir da fome, foi morar no Egito, onde morreu. Esse nome também era usado para identificar o povo de Israel (Nm 24:5). Pai de José, o marido de Maria (Mt 1:15-16).
[4]José do Egito: Filho de Jacó e Raquel (Gn 30:22-24). Foi vendido ao Egito pelos irmãos, onde, após uma série de dificuldades, tornou-se ministro de Faraó, chegando a ser governador do Egito. Salvou os próprios irmãos e seu pai da fome, trazendo-os para Gósen, no Egito. Morreu com 110 anos, e seus ossos foram levados a Siquém (Js 24:32).
[5]Esaú: [Significa peludo] Irmão gêmeo de Jacó (Gn 25:25). Vendeu o direito de primogenitura ao seu irmão por um cozido de lentilhas (Gn 25:30-34). Perseguiu Jacó para matá-lo, porém mais tarde fez as pazes com ele (Gn 32:3-33:17). Foi patriarca dos edomitas.
[6]Calvinista: Adepto do calvinismo. Também chamado de Tradição Reformada, Fé Reformada ou Teologia Reformada, o calvinismo é tanto um movimento religioso protestante quanto uma ideologia sociocultural com raízes na Reforma iniciada por João Calvino em Genebra no século XVI.
[7]Arminiano: Adepto do arminianismo. Também chamado tradição reformada arminiana, a fé reformada arminiana, ou teologia reformada arminiana, é uma escola de pensamento soterológica de dentro do cristianismo protestante, baseada sobre ideias do teólogo reformado holandês Jacobus Arminius (1560 – 1609).
[8]Jordão: Rio principal da Palestina, que nasce no monte Hermom, atravessa os lagos Hulé e da Galiléia e desemboca no mar Morto. O Jordão faz muitas curvas, estendendo-se por mais de 200 km numa distância de 112 km, entre o lago da Galiléia e o mar Morto. O rio tem a profundidade de um a três m e a largura média de 30 m. Na maior parte de seu curso, o rio encontra-se abaixo do nível do mar, chegando a 390 m abaixo deste nível ao desembocar no mar Morto. O povo de Israel atravessou o rio a seco; João Batista batizava nele, e ali Jesus foi batizado (Mt 3:6,13).
[9]Nabucodonosor: Rei do Império Neobabilônico (605-562aC.). Em 587 ou 586aC., ele destruiu Jerusalém e levou o povo de Judá para o cativeiro (2ºRs 25:1-22). Seu nome é mencionado várias vezes em Jeremias, Ezequiel e Daniel.
[10]Primogenitura: Direito pelo qual o primogênito recebia porção dobrada da herança (Dt 21:15-17; Gn 25:31-34).
[11]Guisado: Ensopado (Gn 27:4). Prato de carne picada com bastante molho.
[12]Monte Seir: Monte situado na região do mesmo nome (Gn 14:6). Região ocupada pelos descendentes de Esaú. Tinha uns 160 quilômetros de extensão e ficava ao sul de Moabe, na Arabá (Gn 36:9).
[13]Assédio: Operações militares em frente ou ao redor de uma praça de guerra; sítio, cerco.
[14]Efraim: Foi, de acordo com o Livro de Gênesis, o segundo filho de José e Asenet, uma mulher egípcia a quem o Faraó teria presenteado José como esposa, filha de Potífera, sacerdote de Om. (Gn 41:50-52) Efraim nasceu no Egito, antes da chegada dos filhos de Israel, vindos de Canaã. A Tribo de Efraim foi uma das Tribos de Israel. Juntamente com a Tribo de Manassés, formou a Casa de José. Em seu auge, o território ocupado pela tribo estava no centro de Canaã, a oeste da atual Jordânia, a sul do território de Manassés, e a norte da Tribo de Benjamim; a região que foi chamada posteriormente de Samária (para distingui-la da Judéia e da Galiléia) consistia em sua maior parte do território da Tribo de Efraim.

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2012 – Lição 5 | AD Belém – Setor 20 (Arujá/SP) – Congr. Pq. Rodrigo Barreto I | Jonas M. Olímpio

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