Amós, a Justiça Social como Parte da Adoração

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2012 – Lição 4 | AD Belém – Setor 20 (Arujá/SP) – Congr. Pq. Rodrigo Barreto I | Jonas M. Olímpio

   Atenção Professor!
    Após essa aula, seu aluno deverá estar apto a:
    >    Dissertar a respeito da vida pessoal de Amós e a estrutura do livro;
    >    Saber que a justiça social é um empreendimento bíblico;
    >    Apontar a política e a justiça social como elementos de adoração a Deus.
Uma igreja que não luta pela
justiça social não tem o amor de
Deus e não pode dizer que é
genuinamente cristã, porque
Cristo ordenou o amor ao próximo
Texto Áureo
    Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder[1] a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus (Mt 5:20).
Verdade Prática
    Justiça e retidão são elementos necessários e imprescindíveis à verdadeira adoração a Deus.
Palavra-chave
    Adoração: Rendição a Deus em todas as esferas da vida.
Leitura Bíblica em Classe

    Amós 1:1; 2:6-8; 5:21-23 As palavras de Amós[2], que estava entre os pastores de Tecoa[3], as quais viu a respeito de Israel, nos dias de Uzias[4], rei de Judá, e nos dias de Jeroboão[5], filho de Joás[6], rei de Israel, dois anos antes do terremoto. 2:6-8Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos, 7Suspirando pelo pó da terra, sobre a cabeça dos pobres, pervertem o caminho dos mansos; e um homem e seu pai entram à mesma moça, para profanarem o meu santo nome. 8E se deitam junto a qualquer altar sobre roupas empenhadas[7], e na casa dos seus deuses bebem o vinho dos que tinham multado. 5:21-23Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me exalarão bom cheiro. 22E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. 23Afasta de mim o estrépito[8] dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas.
Os pobres estavam sendo
massacrados pela corrupção
governamental da época; Deus
levantou seu profeta no intúito de
alertar de que haveriam severas
punições aos que não estavam
cumprindo os seus sagrados
mandamentos
Introdução
      ·         Nos 146 versículos de seus 9 capítulos, o livro de Amós faz uma ampla abordagem sobre o panorama de Israel, a qual se encaixa perfeitamente no nosso cenário atual.
·         Ele foi um homem de coragem e, como muitos outros profetas, combateu as influências pagãs e as injustiças sociais que aconteciam na época.
·         O contexto básico de seu livro enfatiza a justiça de Deus e mostra que o que Ele espera de nós não é a religiosidade, mas sim uma verdadeira adoração.
·         Como nos tempos passados, muito se fala em adoração nos dias atuais, mas poucos preocupam-se verdadeiramente com a qualidade daquilo que estão oferecendo ao Senhor; onde não existe a prática da justiça, a “adoração” é tempo perdido [Mt 15:7-9 – Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: 8Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. 9Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos[9] dos homens.].
Viver numa região desértica já
não era uma situação nada fácil,
e enfrentar a corrupção tornava
as coisas mais difíceis ainda; a
missão de Amós não seria tão
simples, mas ele tinha um grande
aliado ao seu lado: o poderoso
Jeová: o mesmo que continua
conosco, mas mesmo assim, por
muitas vezes ainda somos covardes
I – O livro de Amós
1. Contexto histórico
      ·         Amós nasceu numa aldeia chamada Tecoa, há 17 quilômetros ao sul de Jerusalém, e profetizou na época em que reinaram Jeroboão, filho de Joás, em Israel, e Uzias em Judá.
·         Seu período de atuação ministerial foi entre 760 e 750aC, nesse mesmo tempo profetizaram Oseias, Jonas, Isaias e Miqueias; isso foi durante o domínio da Assíria[10] sobre o território de Israel.
·         Ele recebeu essas palavras do Senhor dois anos antes do terremoto: recentemente, arqueólogos encontraram evidências desse terremoto nos escombros de um templo filisteu[11] datado dessa época; os terremotos são bastante comuns na Palestina[12]. O historiador Flávio Josefo[13] afirma que esse abalo sísmico[14] teria ocorrido quando Uzias, rei de Judá, tentou assumir funções sacerdotais – ato mencionado em 2º Crônicas 26:16-23 -, mas a Bíblia não comprova essa relação entre os fatos.
·         Como está escrito em Amós 1:2, Deus estava tremendamente insatisfeito com o povo e prometeu bramar como leão sobre ele, destruindo seus lugares férteis como castigo por sua idolatria.
·         A fidelidade a Deus em todos os aspectos de seus mandamentos é fundamental para sermos alvos da sua justiça e não da sua ira [Lc 18:7,8 – E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? 8Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?].
Um homem simples do campo,
acostumado a lidar com animais
bravos: esse é o perfil do homem
que Deus escolheu para denunciar
a corrupção; coragem não é algo
que se aprende, mas que se
desenvolve sob a autoridade divina
2. Vida pessoal
      ·         Amós trabalhava no campo: era um boiadeiro e cultivador de sicômoros[15], como ele mesmo se define.
·         Ele próprio não se considerava um profeta; embora esse fosse um ministério de destaque, ele não estava preocupado com o “título”, ou com a honra de ser reconhecido dessa forma.
·         Mesmo não parecendo ser um homem indicado para isso, Deus o chamou para profetizar na cidade de Betel[16], que era o local aonde estava centralizada a elite religiosa do reino do Norte.
·         Quando foi cumprir seu chamado divino, ele enfrentou um grande opositor: Amazias[17], um homem que defendia a ideologia do rei Jeroboão II.
·         Quando iniciou seu ministério, a situação do reino estava caótica; o Senhor o chamou porque estava indignado com os abusos da elite dominante e dos ricos contra os pobres: a desigualdade social era desumana e havia também muito adultério e idolatria.
·         Amós era um homem de origem humilde e, por isso, sentia na pele o que significa ser injustiçado socialmente, mas Deus o consolou usando-o para lutar contra as desigualdades levando ao povo as mensagens de promessas da justiça divina; e, como bem sabemos, essa mensagem também é válida para nós porque nenhuma injustiça ficará impune sobre a terra [Tg 5:1-6 – Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. 2As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas da traça. 3O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. 4Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos. 5Deliciosamente, vivestes sobre a terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso coração, como num dia de matança. 6Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu.].
A mistura dos israelitas com povos
pagãos os levou à prostituição
espiritual; esse desvio do caminho
do Senhor, praticado por alguns,
trazia graves consequências para
todo o povo
3. Estrutura e mensagem
      ·         O livro de Amós se destaca em duas partes: os oráculos[18] relatados nos seis primeiros capítulos que vieram pela palavra e as visões que são narradas a partir do sétimo capítulo.
·         O profeta confrontou diretamente as instituições de Israel porque os seus pecados afetavam espiritualmente toda a nação.
·         Sua mensagem principal é a justiça divina, e suas pregações são marcadas por denúncias contra a iniquidade, alertas sobre os castigos que viriam contra os que não se arrependessem e promessas de uma restauração futura.
·         O trecho de Amós 5:25,26, o qual se refere a influência da idolatria entre o povo de Israel, é mencionado em Atos 7:42,43 e 15:16-18.
·         A idolatria não consiste simplesmente no ato simbólico de se venerar imagens, mas também de praticar os pecados aos quais as entidades malignas nelas ocultas induzem o indivíduo; por essa razão, a Palavra de Deus nos ordena a ficar longe dela [1 Co 10:14 – Portanto, meus amados, fugi da idolatria.].
Quando os líderes não governam
sob a direção de Deus, o povo
padece; por isso devemos estar
orando constantemente em favor
dos nossos goernantes
II – Política e justiça social
1. Mau governo
      ·         Conforme vemos em 1º Reis 13:33,34 e em 1º Crônicas 10:13,14, líderes corruptos, assim como Jeroboão I e Saul, fracassaram e levaram os israelitas ao fracasso.
·         Em Amós 7:10-13, podemos observar que a situação não era muito diferente e que, além dos poderosos desobedecerem a Deus, ainda queriam impedir o trabalho de seus servos, os profetas;
·         Esse problema não foi enfrentado apenas por Amós, mas também por Oséias, conforme está escrito em Oséias 5:1 e 7:5-7, e por muitos outros.
·         De fato, sabemos que, por serem constituídas por Deus, as autoridades devem ser respeitadas; mas não devemos nos esquecer de que seus poderes são limitados. Sendo assim, podemos concluir que vivemos sob a permissão divina e não sob a vontade dos homens [Jo 19:10,11 – Disse-lhe, pois, Pilatos[19]: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? 11Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.].
Nessa época, a justiça era
desprezada e os poderosos só
pensavem em si mesmos; mas
como Deus jamais consentiu com
a corrupção, nenhum ato de
opressão escapou – e nunca
escapará – da sua implacável
justiça
2. A justiça social
      ·         Aprendemos com ele que a luta pela justiça social também é uma responsabilidade nossa.
·         O conteúdo dessa mensagem está dentro do contexto do mandamento de amor ensinado por Jesus em Mateus 22:35-40.
·         No território da dez tribos do norte – o reino de Israel -, Amós foi o único profeta a lutar contra as injustiças sociais; já na tribo do Sul – o reino de Judá -, esse tema também foi abordado por Isaías, Miqueias e Sofonias.
·         Pregar e ensinar o povo a praticar justiça social não foi uma preocupação apenas no Antigo, mas também no Novo Testamento os apóstolos continuaram abordando esse importante tema com os novos cristãos [Cl 4:1 – Vós, senhores, fazei o que for de justiça e equidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus.].
O pecado afasta o homem de Deus,
mas não afasta Deus do homem,
pois Ele está sempre disposto a
perdoar e restaurar sua vida; só
que para isso é necessário
arrependimento, porque o seu
Espírito apenas age dentro de
corações voluntários
3. O pecado
      ·         Em Amós 2:6 aparece a seguinte declaração “Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo”; Deus se expressou dessa maneira usando um ditado popular da literatura semítica[20];
·         Esse termo não expressa define o tanto de pecados, mas é uma forma de dizer que eles eram muitos e que não paravam de aumentar;
·         Essa forma de se expressar era muito comum na cultura hebraica conforme podemos conferir em algumas passagens bíblicas como, por exemplo, em Jó 5:19; 33:29; Ec 11:2; Mq 5:5,6.
·         Essa foi uma das várias formas como Deus tem expressado, ao longo dos tempos, sua repulsa contra a podridão do pecado; sua indignação contra as obras malignas é tão grande que Ele enviou seu Filho à terra para se manifestar contra elas e desfazê-las [1ª Jo 3:8 – Quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.].
A situação governamental dos
tempos de Amós lembram muito
o nosso cenário político atual;
mas assim como Deus não
poupou os injustos da época,
também não poupará os
injustos de hoje. Cadê os
“profetas” de Deus?
Infelizmente, alguns também
estão – ou merecem estar –
sentados no banco dos réus
III – Injustiças sociais
1. Decadência social (Am 2:6)
·         A grande maioria do povo vivia em extrema pobreza, e a pequena minoria que tinha um alto poder aquisitivo massacrava o pobre, violando seus direitos e aumentando suas riquezas.
·         Conforme Amós relata, os escravos eram vendidos por preço insignificante; isso prova que não havia amor e nem compaixão por parte dos seus senhores.
·         E a situação não parava por aí: as autoridades aceitavam suborno dos ricos para não darem ganho de causa aos pobres em disputas judiciais.
·         Deus não se limita simplesmente a lamentar ou reclamar das injustiças humanas; Ele dá oportunidades para que os injustos se arrependam, mas, no momento certo, os castiga e livra os justos de suas mãos [2ª Pe 2:4-9 – Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o Juízo; 5e não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; 6e condenou à subversão as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente; 7e livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis 8(porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, pelo que via e ouvia sobre as suas obras injustas). 9Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos e reservar os injustos para o Dia de Juízo, para serem castigados,].
A depravação moral já havia
atingido um nível intolerável;
muitos líderes religiosos estavam
em pecado e achavam que mesmo
assim tinham o direito de
continuarem ministrando no
templo sagrado. Ainda hoje isso é
motivo de preocupação para os
verdadeiros crentes, mas o que nos
conforta é saber que “ai daqueles
por meio de quem vem os
escândalos”
2. Decadência moral
·         Os mandamentos divinos eram profanados moralmente: nojentos atos de depravação sexual eram cometidos livremente contrariando tudo o que era ensinado pela Lei do Senhor;
·         Em Amós 2:7 é possível ver isso claramente: “um homem e seu pai entram à mesma moça, para profanarem o meu santo nome“.
·         E o versículo 8 ainda relata que esses atos repugnantes ocorriam dentro dos templos pagãos, ou seja: muitos israelitas estavam se prostituindo diante dos falsos deuses.
·         Apesar dos castigos divinos sobre o povo, os pecados da imoralidade continuaram e eram motivos de preocupação para os obreiros da Igreja Primitiva, e mais ainda nos dias de hoje em que tudo parece estar liberado. Porém, Deus ainda está permitindo, e eles estão sendo vítimas de tantas doenças e violência por consequência de seus próprios atos [Rm 1:21-28 – porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram[21], e o seu coração insensato se obscureceu. 22Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. 23E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. 24Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si; 25pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém! 26Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. 27E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. 28E, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém;].
Os cultos aos deuses pagãos
haviam seduzido fatalmente
alguns servos de Deus; porém,
o altar do Senhor é santo e
aqueles que o profanaram
sentiram a fúria da sua ira
3. Decadência religiosa
·         Conforme está escrito em Êxodo 22:26,27 e em Deuteronômio 24:6,17, Deus havia estabelecido a lei do penhor[22]; porém, essa determinação estava sendo desrespeitada através de suas atitudes para com os pobres.
·         A expressão “qualquer altar” relatada em Amós 2:8 deixa claro que essas coisas aconteciam durante a adoração aos ídolos e não a Jeová; isso mostra que tanta perversidade e imoralidade eram de influência do relacionamento com estrangeiros que cultuavam a entidades malignas;
·         Esse mesmo texto declara ainda que na casa de seus deuses eles bebiam o vinho daqueles que eles tinham multado: isso significa que realmente os israelitas que se prostituíam moral e espiritualmente eram pessoas de autoridade e que cobravam taxas de forma abusiva, e usavam o que arrecadavam durante a adoração aos falsos deuses.
·         A decadência espiritual, além de vários problemas, tira do indivíduo o direito a salvação – a menos que ele se arrependa, é claro -; a apostasia[23] é o pior dos pecados, pois o homem que conhece a Deus e seu desvia de seu caminho está declarando que não o reconhece como o Senhor de sua vida [Rm 1:29-32 – estando cheios de toda iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; 30sendo murmuradores, detratores[24], aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pai e à mãe; 31néscios[25], infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; 32os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.].
Os cristãos mais ingênuos dizem
que não mais existem os cultos
ao paganismo, só que a idolatria
continua sendo uma grande venda
nos olhos de muitos que professam
o nome de Cristo como seu Senhor,
mas que recorrem aos ídolos em
busca de bênçãos e proteção
IV – A verdadeira adoração
1. Adoração sem conversão
·         Mesmo com tanta infidelidade, essas pessoas ainda insistiam em “adorar” a Deus, acreditando que Ele as aceitava mesmo com elas dividindo sua adoração com os falsos deuses.
·         Esse gravíssimo problema ocorria não somente em Israel, mas também em Judá: acreditavam que a adoração se resume em ofertas de sacrifícios para receberem bênçãos e livramentos; alguma coincidência com alguns “cristãos” de hoje?
·         Mas, conforme vemos em Amós 5:21, a resposta divina através de seu profeta sobre essa falsa adoração foi clara e objetiva: “Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me exalarão bom cheiro.”; estamos precisando de mais profetas como Amós em nosso meio!
·         Como as Escrituras Sagradas alertam, os problemas enfrentados pelo Evangelho hoje têm procedência maligna e são causados por líderes corruptos que distorcem o conteúdo da verdadeira Palavra [1ª Tm 4:1 – Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão[26] alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios,].
Os sacrifícios tinham três finalidades
básicas: o arrependimento, o
agradecimento e a adoração; hoje,
muitos que se dizem crentes
“sacrificam” simplesmente em busca
de bênçãos
2. O significado dos sacrifícios
·         Na Antiga Aliança, o homem podia demonstrar sua comunhão com de Deus levando sacrifícios ao sacerdote, para que fossem dedicados à Ele;
·         Essa demonstração de comunhão podia ser expressa por meio de dois tipos de sacrifícios: ofertas de manjares ou ofertas pacíficas:
            a)      Oferta de manjares: oferta de reconhecimento a Deus pelas provisões obtidas em suas colheitas: era um agradecimento por sua alimentação diária. Consistia em esmagar e tostar grãos de espigas com azeite (Lv 2:14-16); esse era o alimento típico da época.
            b)      Oferta pacífica: haviam três tipos de ofertas pacíficas – ação de graças, voto e oferta voluntária -, respectivamente elas serviam para agradecer por livramentos, cumprimento de votos ou simplesmente adoração espontânea. Consistia em oferecer um animal saudável e sem manchas: ele era sacrificado pelo sacerdote que derramava seu sangue na terra como sinal de devolução de sua vida à Deus; sua gordura era sua melhor parte, por isso era dedicada somente ao Senhor (LV 7:11-21); o ofertante tinha o direito de comer dessa carne.
·         Mas, como Deus não recebe ofertas de aparências e sim do coração, os sacrifícios que aqueles adúlteros espirituais ofereciam eram inúteis, conforme Ele próprio diz em Amós 5:22: “E, ainda que me ofereçais holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei delas, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos.”.
·         O mais importante para Deus nunca foi os sacrifícios, mas sim a misericórdia, ou seja: o amor e a bondade, os quais são uma legítima demonstração da prática da justiça [Mt 9:13 – Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não sacrifício. Porque eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.].
Muitos louvavam aos demônios –
os quais eram representados
pelos ídolos -, e queriam ao
mesmo tempo louvar a Deus,
mas Ele recusou esse tipo de
“louvor”; será que estamos
agradando ao Senhor da
forma como o louvamos?
3. Os cânticos
·         O louvor através do cântico sempre fez parte das reuniões de culto ao Senhor; a música, desde o início, é uma parte essencial da liturgia[27] da adoração.
·         Mas, não basta – e nem é essencial – ter bela melodia, boa afinação de voz, excelentes instrumentistas e uma bonita letra; para ser considerada como louvor, a música – não importa o estilo – tem que ser entoada com sinceridade de coração;
·         E era exatamente esse o problema, de acordo com o que está escrito em Amós 5:23, eles louvavam aos ídolos e também queriam louvar a Deus, por isso Ele não recebia os seus “louvores”: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias dos teus instrumentos.”.
·         A Adoração vai muito além do que sai da nossa boca, pois ela depende muito mais do que sai do nosso coração [Jo 4:23,24 – Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem. 24Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.].
O caráter e os mandamentos
divinos não mudaram, apenas
foram resumidos em uma só
palavra: amor; você tem
cumprido esse mandamento?
Conclusão
·         Liturgicamente, pode-se adorar a Deus de várias formas; mas, espiritualmente, independentemente da forma, para a adoração ser recebida, o coração dever ser sincero, íntegro e reto;
·         Se o adorador não pratica a justiça, a sua adoração é vã porque o Senhor não divide sua glória com os ídolos, ou seja: devemos adorar somente a Ele sem dividir o nosso louvor com mais ninguém.
·         Para haver uma comunhão vertical – do homem com Deus – é preciso que ela também seja horizontal – do homem com o homem -, ou seja: para se dizer que ama ao Senhor é necessário também amar ao próximo;
·         E aquele que ama ao próximo não pratica e nem mesmo consente com a injustiça social.
·         O conteúdo básico da mensagem de Amós trata sobre misericórdia; analisando esse tema profundamente aprendemos que adorar a Deus por meio da prática da justiça não significa apenas em amar e fazer o bem aos que merecem, mas também amar e fazer o bem até mesmo aos seus próprios inimigos [Lc 6:35,36 – Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão[28], e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus. 36Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.].

Jonas Martins Olímpio


O sicômoro é uma figueira que
produz figos de qualidade
inferior, porém suas raízes são
profundas e os seus galhos são
fortes; muitas vezes, as pessoas
estão preocupadas com o sabor do
nosso fruto, mas se esquecem que,
espiritualmente, o que importa é a
força e a perseverança, as quais
são qualidades que nos ajudam a
agradar a Deus e não ao homem
[1]Exceder: Se destacar, predominar, prevalecer. Estar acima.
[2]Amós: (Significa carregador). Um dos Profetas Menores, nascido em Tecoa, no Reino de Judá. Era boiadeiro e cultivador de sicômoros. Profetizou nos reinados de Uzias, de Judá, e de Jeroboão II, de Israel  (Am 1:1; 7:14). Autor do livro bíblico que leva o seu nome.
[3]Tecoa: Cidade de Judá situada 20 km ao sul de Jerusalém. Amós era natural de Tecoa (Am 1:1). Localizada numa região montanhosa de Judá, próxima a Hebrom, edificada pelo rei Roboão.
[4]Uzias: (Significa “minha força é Javé”). Filho do rei Amazias, de Judá, e rei de Judá ele próprio por 52 anos; também chamado de ‘Azarias’.
[5]Jeroboão: (Significa “ampliador”). Foi o primeiro rei de Israel após a divisão do reino. Reinou 22 anos (931-910 aC) sobre as dez tribos que constituíram o reino de Israel. Em Dã e em Betel mandou construir altares para a adoração do bezerro de ouro (1º Rs 11:28-14:20). Jeroboão II: foi o décimo terceiro rei de Israel, que reinou 41 anos (783-743 aC) depois de Jeoás, seu pai. No seu tempo houve muito progresso, mas o povo continuou na corrupção e na idolatria. Na guerra Jeroboão II foi feliz (2º Rs 14:23-29).
[6]Joás: Oitavo rei de Judá, que reinou 40 anos (835-796 aC). Tornou-se rei por iniciativa do sumo sacerdote Joiada, após ter sido salvo de Atalia pela tia Jeoseba, esposa de Joiada. Sob a orientação de Joiada, Joás restaurou a religião de Javé; mas, depois da morte do sacerdote, Joás se desviou de Javé. Por isso foi derrotado pelos sírios e depois foi morto pelos seus próprios servos (2º Cr 24:17-26).
[7]Empenhado: Penhorado (Am 2:8).
[8]Estrépito: Barulho desagradável. Estrondo.
[9]Preceito: Ordem dada para servir como regra geral.
[10]Assíria: (Significa “Plano”). País localizado na Mesopotâmia. Suas capitais foram Assur, Calá e Nínive. Sua população era semita. Em várias ocasiões os assírios guerrearam contra o povo de Deus  (2º Rs 15:19,29; 16:7). Em 721 a.C. os assírios acabaram com o Reino do Norte, tomando Samaria, sua capital  (2º Rs 17:6). Os medos e os babilônios derrotaram a Assíria, tomando Nínive em 612 a.C. A Assíria é mencionada várias vezes nos livros proféticos: (Is 10:5-34, 14:24-27, 19:23-25 20:1-6, 30:27-33; Ez 23:1-31; Os 5:13; Na 1:1-15; Sf 2:13-15).
[11]Filisteu: Povo que habitava a planície da costa do mar Mediterrâneo em Canaã, desde Jope até o Sul de Gaza. Tinham cinco grandes cidades: Asdode, Gaza, Ascalom, Gate e Ecrom {#Js 13.3}. Os israelitas viviam sempre em luta contra eles.
[12]Palestina: Denominação histórica dada pelo Império Britânico a uma região do Oriente Médio situada entre a costa oriental do Mediterrâneo e as margens do Rio Jordão. Área correspondente à Palestina até 1948 encontra-se hoje dividida em três partes: uma parte integra o Estado de Israel; duas outras (a Faixa de Gaza e a Cisjordânia), de maioria árabo-palestiniana, deveriam integrar um estado palestiniano-árabe a ser criado – de acordo com a lei internacional, bem como as determinações das Nações Unidas e da anterior potência colonial da zona, o Reino Unido. Todavia, em 1967, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia foram ocupadas militarmente por Israel, após a Guerra dos Seis Dias.
[13]Flávio Josefo: Yosef Ben Matityahu (37 a 100aC), foi um historiador e apologista judaico-romano, descendente de uma linhagem de importantes sacerdotes e reis, que registrou a destruição de Jerusalém, em 70dC, pelas tropas do imperador romano Vespasiano, comandadas por seu filho Tito, futuro imperador. As obras de Josefo fornecem um importante panorama do judaísmo no século I.
[14]Abalo Sísmico: Terremoto (tremor da superfície terrestre produzido por forças naturais situadas no interior da crosta terrestre e a profundidades variáveis. Os abalos são causados pelo choque de placas rochosas situadas a profundidades que vão desde 50 até 900 km abaixo do solo. Outros fatores considerados são deslocamentos de gases como o metano e as atividades vulcânicas).
[15]Sicômoro: Figueira de raízes profundas e galhos fortes que produz figos de qualidade inferior (Am 7:14; Lc 19:4).
[16]Betel: (Significa Casa de Deus). Existiram duas cidades com esse nome: 1ª- Cidade cujo nome anterior era Luz e que ficava a mais ou menos 20 km ao norte de Jerusalém (Gn 28:19). Em Betel foi construído o templo do Reino do Norte (1º Rs 12:26-33). 2ª- Cidade do Sul de Judá (1º Sm 30:27), chamada de Betul em (Js 19:4) e de Betuel em (1º Cr 4:30).
[17]Amazias: (Significa fortaleza de Javé). Existiram dois homens com esse nome: 1º- Nono rei de Judá, que reinou 14 ou 15 anos (796-781 aC) depois de Joás, seu pai. 2º- Sacerdote idólatra de Betel no reinado de Jeroboão II que combateu contra o profeta Amós (Am 7:10-17).
[18]Oráculo: Resposta dada por uma divindade a quem a consulta. A mensagem de Deus revelada no Antigo Testamento (Rm 3:2; Hb 5:12; 1ª Pe 4:11). Um “deus” que os pagãos pensavam que respondia a quem o consultava (Ez 21:21-23).
[19]Pilatos: Pôncio Pilatos foi prefeito da província romana da Judeia entre os anos 26 e 36 dC. Foi o juiz que condenou Jesus a morrer na cruz, mesmo contra sua vontade, pois não havia achado culpa nEle. Apesar de nesse episódio ele não parecer muito hostil, foi, na verdade, um homem cruel e sanguinário; segundo a história, Pilatos trucidou um grande numero de samaritanos, os quais, consequentemente, protestaram ao seu superior, Vitelio, legado provincial da Síria, o qual destituiu Pilatos e o enviou a Roma a desculpar-se com o Imperador. Ele cometeu suicídio por volta do ano 37 dC.
[20]Semítico: Referente a semita: esse termo designa o conjunto linguístico composto por uma família de vários povos, entre os quais se destacam os árabes e hebreus, que compartilham as mesmas origens culturais. A origem da palavra semita vem de uma expressão no Gênesis e referia-se a linhagem de descendentes de Sem, filho de Noé. Modernamente, as línguas semíticas estão incluídas na família camito-semítica.
[21]Desvanecer: Desaparecer.
[22]Penhor: Algo dado como garantia por um empréstimo.
[23]Apostasia: Desvio consciente da fé. Abandono público de uma religião, de uma doutrina ou opinião.
[24]Detrator: Caluniador.
[25]Néscio: Ignorante; tolo; pessoa sem conhecimento ou maturidade.
[26]Apostatar: Praticar apostasia (Desvio consciente da fé. Abandono público de uma religião, de uma doutrina ou opinião).
[27]Liturgia: Conjunto das cerimônias e preces ordenado pelas autoridade espirituais em uma determinada reunião religiosa. Regras a serem cumpridas durante um culto.
[28]Galardão: Recompensa por serviços importantes. Glória, honra, prêmio. Privilégios ainda não revelados, que serão dados por Deus aos salvos que trabalharam em sua Obra com mais dedicação (Mc 9:41; 1ª Co 3:8-14; Ap 22:12).

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD | 4º Trimestre de 2012 – Lição 4 | AD Belém – Setor 20 (Arujá/SP) – Congr. Pq. Rodrigo Barreto I | Jonas M. Olímpio

5 thoughts on “Amós, a Justiça Social como Parte da Adoração

  1. Muito interessante esta revista que Deus possa capacitar ainda mais todos vocês que se interessam a aprender e passar para outras pessoas essas informações tão importante sobre CRISTO.Ass: Débora silva

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