A Prosperidade no Antigo Testamento

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD 
1º Trimestre de 2012 – Lição 2
Aula ministrada por mim na AD Belém – Setor 20 (Arujá/SP) – Pq. Rodrigo Barreto I
Jonas Martins Olímpio

Tanto no Antigo como no Novo
Testamento, a prosperidade,
tanto material quanto espiritual
estão ligadas à obediência à
Deus
Texto Áureo
    Vendo, pois, o seu senhor que o Senhor estava com ele, e tudo o que fazia o Senhor prosperava em sua mão (Gn 39:3),
Verdade Prática
    A prosperidade no Antigo Testamento está diretamente relacionada à obediência à Palavra de Deus e a dedicação ao trabalho.
Leitura Bíblica em Classe
    Deuteronômio 8:11-18  – Guarda-te que não te esqueças do Senhor teu Deus, deixando de guardar os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus estatutos[1]que hoje te ordeno; 12Para não suceder que, havendo tu comido e fores farto, e havendo
edificado boas casas, e habitando-as, 13E se tiverem aumentado os teus gados e os teus rebanhos, e se acrescentar a prata e o ouro, e se multiplicar tudo quanto tens, 14Se eleve o teu coração e te esqueças do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão; 15Que te guiou por aquele grande e terrível deserto de serpentes ardentes, e de escorpiões, e de terra seca, em que não havia água; e tirou água para ti da rocha pederneira[2]; 16Que no deserto te sustentou com maná[3], que teus pais não conheceram; para te humilhar, e para te provar, para no fim te fazer bem; 17E digas no teu coração: A minha força, e a fortaleza da minha mão, me adquiriu este poder. 18Antes te lembrarás do SENHOR teu Deus, que ele é o que te dá força para adquirires riqueza; para confirmar a sua aliança, que jurou a teus pais, como se vê neste dia. 
Os pregadores triunfalistas usam
muito o Antigo Testamento
para pregar prosperidade,
porém seus sacrifícios se
resumem simplesmente em
dinheiro e eles não estão
dispostos a cumprir
realmente a Lei
Introdução
  •          Grande parte do ensino sobre prosperidade se encontra no Antigo Testamento;
  •          A palavra hebraica tsalach, que pode ser traduzida como prosperidade, riquezas ou bens, aparece cerca de vinte e cinco vezes no Antigo Testamento;
  •          A palavra grega que pode ser traduzida da mesma forma é euodoo;
  •          Analisando o seu contexto, vemos que na Antiga Aliança não se refere apenas a riquezas ou saúde, mas sim a um profundo relacionamento com o Todo-Poderoso Jeová;
  •          É totalmente possível alguém ter riquezas e saúde e não ser próspero espiritualmente e vice-versa, mas isso não é uma regra porque a pobreza ou a riqueza atingem tanto aos crentes quanto aos ímpios[4];
  •          Os neo-pentecostais usam muito o Antigo pacto como base para suas pregações triunfalistas, porém analisemos cuidadosamente os livros da Lei para entender o que pode ser definido como prosperidade;
  •          Uma das maiores evidências da prosperidade espiritual é a existência de amor pelas coisas de Deus em nosso coração [Dt 6:5,6 – Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. 6E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;].

O amor é uma característica
típica de quem é espiritualmente
próspero
I – Riqueza e pobreza; doença e cura na Antiga Aliança
1. Prosperidade e solidariedade[5]
  •          No Antigo Testamento, riqueza e pobreza não definem a espiritualidade de ninguém;
  •          Ele tanto mostra a riqueza como dádiva[6] e a pobreza como julgamento divino, como também por muitas vezes mostra os ricos como perversos e os pobres como piedosos;
  •          Riqueza e pobreza não podem definir uma pessoa como abençoada ou amaldiçoada, pois tanto o rico quanto o pobre são dependentes de Deus;
  •          Ser verdadeiramente próspero é saber compartilhar com os menos favorecidos, e não é preciso ser rico para ser solidário;
  •          Quando alguém recebe a graça divina para prosperar, não precisa fazer inúmeras campanhas, correntes, votos e sacrifícios, porque mesmo que as condições sejam desfavoráveis, Deus provê meios para que seus propósitos se realizem [Gn 39:4 – José achou graça em seus olhos, e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha.].

Os desejos dos cobiçosos sempre
resultam em destruição, dor e
morte; e isso pode ser tanto
espiritual quanto físico também
2. Prosperidade e espiritualidade
  •          Dentro do conceito[7] veterotestamentário[8], prosperidade vai muito além de muito dinheiro e vida saudável;
  •          O que vemos nos grandes homens de Deus é que eles sempre buscavam primeiramente as coisas espirituais e depois as materiais;
  •          O segredo de uma vida tranqüila e saudável está na paz interior que conquistamos quando obtemos comunhão com Deus;
  •          Existem muitos valores que merecem, mas nem sempre são considerados prosperidade, como por exemplo: integridade, justiça, conhecimento, humildade, paz, perdão, amor, alegria;
  •          Quais são os mais importantes valores que você tem, ou deseja ter, para se sentir próspero [Sl 119:36,37 – Inclina o meu coração aos teus testemunhos, e não à cobiça. 37Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.]?

De nada adianta termos uma
vida saudável se não tivermos
saúde espiritual
3. Prosperidade e bem-estar físico
  •          Cremos que Jesus cura, mas cremos também que ele deixou ao nosso alcance a busca pela cura através da medicina, não que devamos viver nos intoxicando com remédios, mas cuidar do corpo é uma obrigação do servo de Deus;
  •          Antigamente a medicina não era tão avançada como atualmente, e Deus, com sua infinita misericórdia agia constantemente como o médico de Israel para amenizar[9] o sofrimento do povo;
  •          Podemos entender melhor essa verdade comparando-a ao fato de que quando os israelitas não tinham alimento, Jeová os sustentou com o maná, mas quando eles tiveram a possibilidade de plantar e colher, o maná cessou, porém, a prosperidade das plantações também vinha de Deus;
  •          Embora os espíritos malignos ajam nas enfermidades, eles nada podem fazer sem a permissão de Deus. Isso derruba a errônea doutrina que diz que todos os doentes estão oprimidos por demônios, pois Jó não estava endemoninhado;
  •          Uma das coisas que aprendemos com as Sagradas Escrituras é que o nosso Pai Celestial tem propósitos em tudo o que faz ou permite acontecer, até mesmo nossos sofrimentos estão dentro de seus planos;
  •          A maior vontade de Deus é que busquemos conhecê-lo e que o obedeçamos [Am 8:11 – Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.].

Nenhum trabalho pode ser
considerado desonroso, porque
o fato de termos uma porta
aberta e condições de trabalhar
é um grande sinal de
prosperidade divina
II – A prosperidade como resultado do trabalho e do favor de Deus
1. O trabalho como propósito divino
  •          No Antigo Testamento, assim como hoje, a prosperidade está profundamente relacionada ao trabalho;
  •          Enriquecer sem  trabalhar está totalmente fora dos padrões de ensino bíblico;
  •          Desde a sua criação, o homem recebeu a missão de vigiar e de plantar no jardim aonde foi colocado para viver;
  •          Todos os que prosperaram materialmente na Bíblia, receberam essa prosperidade de Deus trabalhando;
  •          Em Deuteronômio 8:18, a expressão “Ele é o que te dá força para adquirires riqueza”, a palavra “força”, do substantivo hebraico koachsignifica literalmente vigor [10]e  força humana. E quando essa palavra “força” é traduzida como “poder” ela vem originalmente do hebraico chayil que expressa o sentido de eficiência, fartura e riqueza;
  •          Para ser materialmente próspero é preciso trabalhar, mas o excesso de trabalho nem sempre resulta em acúmulo de riquezas;
  •          Independentemente de obter grandes conquistas materiais ou não, o dever do ser humano é trabalhar, pois a preguiça e a vadiagem são as maiores responsáveis pelo fracasso daqueles que nunca conseguem nem mesmo as provisões básicas para a sobrevivência [Pr 6:6-11 – Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos, e sê sábio. 7Pois ela, não tendo chefe, nem guarda, nem dominador, 8Prepara no verão o seu pão; na sega ajunta o seu mantimento. 9O preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? 10Um pouco a dormir, um pouco a tosquenejar[11]; um pouco a repousar de braços cruzados; 11Assim sobrevirá a tua pobreza como o meliante[12], e a tua necessidade como um homem armado.].

Muita gente questiona as bênçãos
dos ímpios e a pobreza dos fiéis,
mas isso não pode ser usado como
um termômetro espiritual porque
os benefícios terrenos são
passageiros e os espirituais são
eternos
2. A bênção de Deus como favor divino
  •          Prosperidade no sentido material nada mais é do que um favor divino, ou seja: algo dado ao homem pela misericórdia divina;
  •          Essa bênção ele dá a todos, independente de serem fiéis ou não, pois nada tem a ver com a salvação;
  •          Conforme está escrito em Mateus 5:45, essa é a graça que faz o sol se levantar e a chuva cair sobre os maus e os bons;
  •          Quando não consideramos o poder de Deus sobre a nossa vida, não conseguimos sentir prazer naquilo que fazemos, e o nosso trabalho também não prospera;
  •          Reconhecer que as mãos do Senhor estão sobre nós é um ato de gratidão, e isso nos mantém longe da ganância de querer adquirir cada vez mais, pois sabemos que o nosso Pai nos dá tudo sob medida;
  •          A verdadeira prosperidade é aquela que traz paz e tranqüilidade, pois qualquer “benefício” que traga problemas ou inquietação não pode ser considerado como prosperidade divina [Pr 10:22 – A bênção do Senhor é que enriquece; e não traz consigo dores.].

O que você espera de Deus quando
“faz” algo por ele?
III – Princípios bíblicos para a prosperidade
1. Retribuição
  •          Na era patriarcal[13], podemos ver que Abraão prosperou porque foi obediente ao Senhor, assim como também os outros patriarcas;
  •          No Pentateuco[14], podemos ver, por várias vezes, sendo aplicada a lei da retribuição: obediência resulta em bênçãos e desobediência resulta em maldição;
  •          Isso foi tanto na época patriarcal, quanto na era tribal[15]aonde ganhou mais força, como também no início da era cristã e ainda até aos dias atuais;
  •          O livro de Juízes termina mostrando que os problemas que assolavam Israel estavam acontecendo devido ao fato de não haver obediência às leis de Deus e de cada um fazer o que queria;
  •          No período monárquico[16], Deus usou duramente seus profetas para corrigir o povo devido a sua falta de obediência;
  •          Conhecer e praticar a Palavra de Deus são regras e atitudes básicas para quem quer usufruir[17]da verdadeira prosperidade [Dt 12:28 – Guarda e ouve todas estas palavras que te ordeno, para que bem te suceda a ti e a teus filhos depois de ti para sempre, quando fizeres o que for bom e reto aos olhos do Senhor teu Deus.].

Quem é o homem para impor
algo diante de Deus?
2. Soberania divina
  •          Apesar de a lei da retribuição ser um princípio básico totalmente aceitável para se entender a bênção e a maldição, ela não pode ser considerada generalizadamente porque existem as exceções da regra;
  •          A soberania divina está acima de tudo, e Deus costuma agir de diferentes maneiras em cada caso para cumprir seus propósitos;
  •          São muitos os casos de prosperidade física e material dos ímpios e de sofrimento dos justos;
  •          Pro essa razão, esse tipo de prosperidade não pode ser usada como termômetro para se definir o grau de espiritualidade de uma pessoa;
  •          A Bíblia não é um livro de receitas em que o resultado da mistura dos ingredientes deve ser sempre o mesmo, mas sim uma bússola a qual, dependendo de sua posição, apontará diferentes direções para você chegar ao seu destino;
  •          Não se sinta acusado se alguém te apontar como pecador devido a algum sofrimento, mas se auto-examine para ter certeza de sua santificação tendo a certeza que pecando ou não, todos estamos sujeitos às adversidades da vida, assim como aconteceu com Jó;
  •          O que aprendemos no Antigo Testamento também se repete no Novo, porque a Palavra de Deus não cai em contradição;
  •          Não devemos questionar, e sim aceitar a vontade de Deus [Jó 42:2 – Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.].

Humildade e sinceridade são
pequenas atitudes que podem
resultar em grande
prosperidade
Conclusão
  •          No Antigo Testamento, vemos que a prosperidade é uma conseqüência da misericórdia do Senhor em abençoar o seu povo;
  •          Ser próspero não é um mérito[18]pessoal, mas sim algo que deve ser atribuído a Deus porque nada acontece sem a sua permissão e nem fora de sua soberana vontade;
  •          Não há regras para a prosperidade e nem obrigação divina em nos atender, mas o princípio básico para ser abençoado é a obediência;
  •          Deus é amor, mas também é justiça! E o seu amor se manifesta muitas vezes através de sua justiça, porque um pai amoroso sempre ensina e corrige seus filhos [1ª Sm 2:7 – O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta.].


O Pentateuco contém os cinco
livros que iniciam o Antigo
Testamento, e é nele em que nós
mais encontramos exemplos de
prosperidade tanto material
quanto espiritual
[1]Estatuto:Lei orgânica ou regulamento de um Estado, associação, ou de qualquer corpo coletivo em geral.
[2]Pederneira: Pedra muito dura que, ferida por um fragmento de aço, produz faíscas; pedra-de-fogo.
[3]Maná: Seiva de tamarisco. O livro bíblico de Êxodo o descreve como um alimento produzido milagrosamente, sendo fornecido por Deus ao povo Israelita, liderado por Moisés, durante sua estada no deserto rumo à terra prometida. Segundo Êxodo, após a evaporação do orvalho formado durante a madrugada, aparecia uma coisa miúda, flocosa, como a geada, branco, descrito como uma semente de coentro, e como o bdélio, que lembrava pequenas pérolas. Geralmente era moído, cozido, e assado, sendo transformado em bolos. Diz-se que seu sabor lembrava bolachas de mel, ou bolo doce de azeite.
[4]Ímpio: Quem não tem fé; incrédulo, descrente, herege, ou ateu. Pessoa sem piedade.
[5]Solidariedade: Bondade; boa vontade em ajudar aos necessitados.
[6]Dádiva: Dom, presente.
[7]Conceito: Opinião, ponto de vista, avaliação, nota.
[8]Veterotestamentário: Referente ao Antigo Testamento.
[9]Amenizar: Suavizar. Diminuir a gravidade de uma situação.
[10]Vigor: Força física, robustez. Energia, atividade. Esforço enérgico da alma ou do corpo. Força, eficácia, valor, valia.
[11]Tosquenejar: Cochilar.
[12]Meliante: Malandro, vadio, bandido, pessoa mal-intencionada.
[13]Patriarca: Chefe de família entre os antigos, particularmente do povo judaico até a época dos juízes. Prelado de algumas dioceses importantes na Antiguidade. Chefe da Igreja Grega. Nome dado aos primeiros fundadores de algumas ordens religiosas. Velho que tem muitos descendentes. Pioneiro, fundador.
[14]Pentateuco: Os cinco livros do Antigo Testamente escritos por Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
[15]Tribal: Referente a tribo.
[16]Monárquico: Referente a monarquia (sistema de governo dos reis).
[17]Usufruir: Aproveitar, gozar, desfrutar.
[18]Mérito: Merecimento. Direito conquistado.

Estudo Bíblico Baseado na Escola Bíblica Dominical da CPAD 
1º Trimestre de 2012 – Lição 2
Aula ministrada por mim na AD Belém – Setor 20 (Arujá/SP) – Pq. Rodrigo Barreto I
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