Ele nos sustenta a cada dia

O trabalho é nosso, mas a provisão 
vem de Deus.

    Mt 6:11 – O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Já numa idade bastante avançada, o sábio rei Davi, com todo o seu conhecimento devido a sua grande experiência de vida, fazia uma interessante afirmação: Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo[1], nem a sua descendência a mendigar o pão (Sl 37:25) .  Porém, essa tão grande segurança do velho rei era conseqüência de suas constantes orações (Sl 71:9,17,18). Como está sua vida material? Se as coisas estão difíceis, essa Palavra traz a resposta de uma forma absolutamente clara, simples e objetiva: “Nunca vi desamparado o justo…” Deus se agrada daquele que busca praticar sempre a justiça, ou seja: que procura de todas as formas ser obediente aos mandamentos divinos. Indiscutivelmente, é sim um direito seu reivindicar provisões materiais, mas é um direito condicional, porque assim como o compromisso de um pai é prioritariamente com os seus filhos, o compromisso de Deus é, em primeiro
lugar, com os seus fiéis (Mt 7:6; Ap 22:14,15). E o complemento dessa declaração do salmista Davi nos dá ainda a certeza de que as bênçãos que um servo do Senhor alcança, também são alcançadas por todos os que estão ao seu redor, sob a sua intercessão[2], mesmo que estes não sejam fiéis como era o caso dos filhos de Jó (Jó 1:4,5); porém, espiritualmente falando, cada um pagará pelos seus atos (Jó 1:13-16). Por isso jamais se deve julgar a espiritualidade de alguém por sua situação financeira: pobreza ou riqueza não podem ser rotuladas como sinônimos de pecado ou santidade; cada caso é um caso.

As bênçãos que recebemos
diariamente vem na medida
certa para que não nos
esqueçamos que é Ele quem
está nos abençoando

    Voltando ao nosso texto, aqui o nosso amado Mestre nos ensina a pedir ao Pai pelas nossas provisões diárias. E um detalhe bastante interessante é que Ele está dizendo para pedirmos apenas o necessário para o momento, pois no amanhã Deus continuará cuidando de nós (Mt 6:34). Isso me faz lembrar de quando Ele sustentou o povo de Israel no deserto com o maná[3]: Ele lhes orientou enfaticamente a somente recolherem aquilo que lhes era necessário para o consumo diário: um gômer[4] por pessoa, porque os alimentaria sob medida diariamente. Os que desobedeceram a essa ordem nada puderam aproveitar, pois no dia seguinte o alimento cheirava mal e estava cheio de bichos; somente no sexto dia podiam colher duas medidas, pois no sábado deveriam dedicar-se somente ao Senhor. Trazendo para os dias atuais, essa história nos traz muitas lições, observe bem: eles haviam acabado de presenciar e viver grandes milagres, como por exemplo: as 10 pragas contra Faraó[5] e a fuga do Egito através da abertura do Mar Vermelho. E agora estava tudo bem, certo? Errado! Pois eles estavam no deserto e não num lugar próspero e tranqüilo aonde pudessem viver sossegadamente. Há pessoas que oram dizendo: “Senhor, quero ir ao deserto para ter um encontro contigo!” Linda oração! Mas será que elas tem noção de o que é passar pelo deserto? O deserto é um lugar que, além de ser isolado e seco aonde não se pode plantar e nem comprar alimentos, é cheio de perigos como animais venenosos, ladrões assassinos, temperaturas altamente contrastantes podendo chegar a 57 graus durante o dia e 5 a noite, tempestades de areia e vários outros infortúnios que o fazem estar muito longe de ser o lugar dos sonhos de qualquer ser humano em seu juízo perfeito. Viajantes que tenham que atravessar por regiões desérticas sabem muito bem que ali não há como pedir ajuda e que precisam estar bem preparados com todas as provisões necessárias, caso contrário morrerão desamparados no meio do caminho. Tente imaginar a situação do povo israelita naquele momento: eram 600 mil homens, sem contar mulheres, crianças e idosos, mais algumas pessoas e seus animais (Êx 12:37,38 (NTLH)); alguns estudos calculam que eles deveriam ser uma média de quase 2 milhões de pessoas. Imagine só a estreita situação de Moisés que tinha que agüentar a murmuração desse povo todo e providenciar-lhes alimento. Para resumir a história, Deus interveio milagrosamente e, mais uma vez, provou que estava com eles e que não os abandonaria naquele lugar e que os conduziria até a Terra Prometida[6]. Porém, o Todo-Poderoso lhes deixou bem claro que somente lhes daria a porção diária: nada mais e nada menos que isso. Mas por quê? Podemos interpretar isso de uma maneira bem simples: eles tinham que reconhecer que eram dependentes de Deus; se lhes fosse enviado o maná em quantidade abundante para cada um, eles o armazenariam e, algum tempo depois, se esqueceriam que era Jeová que os estava alimentando; somente se lembrariam de terem guardado aquele alimento todo com o seu próprio esforço, e talvez, quem sabe até o comercializariam, transformando a provisão sagrada numa espécie de moeda de troca entre as nações que encontrariam pelo caminho e até entre eles próprios; isso também causaria contendas entre eles mesmos, porque os mais fortes juntariam mais e poderiam exercer alguma forma de domínio sobre os outros –assim como acontece no mercado financeiro mundial nos dias atuais-. Tendo cada um apenas a sua porção diária, eles aprenderam a exercer a fé no Pai Celestial, pois testemunhavam dia após dia o milagre do céu acontecendo em sua vida. E assim foi por 40 anos.

Quem confia nas provisões de
Deus sem se preocupar com o dia
de amanhã, não teme as ameaças
do deserto

    Assim é também a tua vida como crente no mundo atual: mesmo que você esteja atravessando o deserto nesse momento, basta confiar no Senhor e fazer a vontade dEle que Ele te sustentará. Da mesma forma que Ele enviou o maná para o seu povo no deserto, Ele também provê todas as suas necessidades até mesmo quando você nem percebe: tudo o que acontece em sua vida é resultado da intervenção de Deus com as suas poderosas mãos, por isso é necessário dar graças em tudo e, em vez de murmurar, orar pedindo direção para aprender a usar os dons que Ele te deu tanto espiritual quanto materialmente. Porém, quando queremos juntar, com nossas próprias forças, bens a mais do que Ele nos permite, nosso trabalho não prospera (Pr 16:8,9), pois quando chega o “dia seguinte” e queremos usufruir daquilo que guardamos fora da direção divina, percebemos que os “bichos” –os demônios[7]– já estão devorando tudo. Assim como os israelitas somente no sexto dia podiam colher uma quantidade dobrada para que no sábado não tivessem que trabalhar e pudessem se dedicar somente ao Senhor, nós também devemos entender que nos momentos em que Ele nos permite sermos bem-sucedidos financeiramente, não é para gastarmos tudo com coisas supérfluas que satisfaçam a nossa vaidade, mas sim para investirmos na obra, seja por contribuição ou aplicação na vocação em que fomos chamados, e guardarmos o suficiente para que quando chegar o dia em que não mais pudermos trabalhar tenhamos o suficiente para nos manter sem dependermos de ninguém e nos dedicarmos somente à sua obra. Quando se sentir triste e desanimado, lembre-se dos milagres que Jeová já fez em sua vida, como por exemplo: quando derrotou os “faraós” que tentaram te impedir de sair do “Egito”; como te deu a Água da Vida no momento em que você achou que fosse morrer de sede no deserto; e de como tem te dado livramentos diante das “nações inimigas” que tentam diariamente tirar sua paz e destruir sua fé. A todo momento Satanás tentar cegar sua mente fazendo você pensar que tudo o que foi conquistado até aqui se deve ao seu próprio esforço, mas quando vier esse tipo de pensamento, ore para que o Senhor o repreenda e não te deixe ser contaminado por essa grande e maligna epidemia de amnésia[8] espiritual que está destruindo a vida de muitos crentes que já se esqueceram de quem os libertou da escravidão, e agora usam aquilo que gratuitamente receberam como um mero negócio comercial se esquecendo que estão a serviço do Rei da Justiça o qual não deixará o trabalhador sem o seu digno salário (Mt 10:8,9). Não é necessário se preocupar em ter grandes e poderosas ferramentas para realizar seus projetos, pois para fazer grandes milagres, Deus usa o pouco (Mt 14:17-21) e, as vezes, até mesmo o nada (At 3:6). Algumas pessoas são colocadas sobre muito e outras sobre pouco (Mt 25:14,15[9]), porém ambas podem ser igualmente abençoadas desde que administrem com fidelidade (Mt 25:19-23), porque Deus não se agrada dos infiéis (Mt 25:24-28); há ainda aqueles que mesmo sendo fiéis não alcançam grandes conquistas materiais, mas estes também não são desamparados em sua caminhada terrena, e podem ter a plena convicção de que a sua maior riqueza não está aqui (Tg 2:5).

O pouco abençoado por Deus
vale muito mais do que o muito
sem Ele

    A Palavra de Deus também diz que os ricos dificilmente entrarão no céu (Mt 19:23,24[10]). Será então que obrigatoriamente devemos ser pobres para alcançarmos a salvação? É claro que não! O que realmente importa é admitirmos nossa dependência de Deus e procurarmos ter somente aquilo que não nos afaste dEle. Pois, dependendo de nossa estrutura, as muitas posses podem fazer com que confiemos em nós mesmos e, por outro lado, a falta de suprimento das necessidades básicas poderiam criar frustração, revolta e afastamento do caminho do Senhor. O correto, então, é pedir-lhe somente aquilo que é realmente necessário para a nossa vida cotidiana (Pr 30:7-9). Da mesma forma, o apóstolo Paulo, que não era nenhum aproveitador e nem queria abusar da boa vontade de ninguém (2ª Co 11:8,9), sabia que o Senhor sempre preparava alguém para ajudá-lo (Fp 4:10), e nos dá o exemplo de que devemos nos conformar com o que temos (Fp 4:11,12), porque se temos a garantia de que tudo podemos através daquEle que nos fortalece (Fp 4:13), podemos ter a certeza de que se nos deixarmos ser guiados por Ele, nada nos faltará (Sl 23:1). Nunca se esqueça disso: Você está apenas passando pelo deserto, mas a sua morada não é aqui; apenas os infiéis perecerão nesse lugar (Mq 2:9). Se foi Deus quem te chamou e você for fiel até o fim, Ele não te deixará morrer no meio do caminho! A provisão de cada dia te acompanhará até você chegar na sua terra prometida (Sl 23:6a), ou seja: Ele estará contigo até cumprir a sua missão (Mt 28:20b) e, finalmente, te levar para junto dEle (1ª Pe 1:3-6[11])!




[1]Justo(do latim justu) Conforme à justiça, à razão e ao direito. Reto, imparcial, íntegro. Exato, preciso. Que tem fundamento; fundado. Ajustado. Que se adapta perfeitamente. Que se ajusta bem. Estreito, apertado, cingido. Homem virtuoso, que observa exatamente as leis da moral ou da religião. O que é conforme à justiça.
[2]Interceder: Pedir em favor de alguém.
[3]Maná(significa “que é isto?”(pois foi o que os israelitas perguntaram quando o viram no chão)). Alimento milagrosamente fornecido por Deus aos israelitas durante 40 anos no deserto. Era como uma semente pequena, muito branca (Êx 16.14-36; Dt 8.3; Js 5.12; Jo 6:31-35,48-51).
[4]Gômer: Medida de capacidade para secos, também chamada de issarom, igual a um pouco mais de um litro e meio (1,76 litros). É um décimo do efa.
[5]Faraó: [significa A Grande Casa] Título que no Egito queria dizer “rei”. Oito faraós são mencionados na Bíblia.
[6]Terra Prometida: A Terra Prometida é, de acordo com a Bíblia, a terra de Israel, que foi prometida por Deus aos descendentes dos patriarcas hebraicos Abraão , Isaac, e Jacó. A região da Terra Prometida (Canaã) compreende os atuais territórios do Estado de Israel Palestina, CisjordâniaJordânia ocidental, sul da Síria e sul do Líbano.
[7]Demônios: Espíritos imundos (Lc 9:1), muito astutos, que se opõem a Deus e atacam as pessoas com todos os tipos de males (Mc 7:26).
[8]Amnésia: Diminuição considerável ou perda total da memória. Dificuldade para lembrar-se de algo.
[9]Talento: O talento de ouro ou prata era a unidade de moeda romana para grandes quantidades de dinheiro. Ele foi introduzido na Grécia Antiga e depois adaptado para o sistema monetário romano. Um talento era igual a 60 minas, que, por sua vez eram equivalentes a 100 dracmas. Sabendo que uma dracma era igual a 4,5 a 6 gramas de ouro ou prata, um talento significava entre 27 a 36 quilos de metal. Estudiosos calculam que um talento hoje valeria no mínimo 1300 dólares (cerca de dois mil reais). Espiritualmente, os talentos representam os dons que o Espírito Santo nos concede e, na linguagem popular expressa as habilidades especiais de uma pessoa; era um termo muito usado pelos romanos para elogiar uma pessoa de valor.
[10]Agulha: É o nome dado a um buraco feito numa muralha por onde pode se passar objetos, pequenos animais e, com certa dificuldade, até pessoas quando os portões estão fechados.Para um camelo passar por ela tem que se espremer muito.
[11]Contristado: Entristecido.

Jonas M. Olímpio

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